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	<description>Cinema e algo mais</description>
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		<title>O que resta do tempo (Elia Suleiman)</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 14:36:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Elia Suleiman]]></category>

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		<description><![CDATA[O que resta do tempo é o terceiro filme da trilogia de Elia Suleiman, que teve início em 1996 com Crônica de um desaparecimento. Em 2002, o segundo filme da série, Intervenção Divina, projetou o diretor em todo o mundo como o mais importante cineasta da Palestina. Os três filmes fazem uma espécie de crônica [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=518&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a href="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/05/tmp2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-521" title="tmp" src="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/05/tmp2.jpg?w=187&#038;h=178" alt="" width="187" height="178" /></a>O que resta do tempo</em> é o terceiro filme da trilogia de Elia Suleiman, que teve início em 1996 com <em>Crônica de um desaparecimento. </em>Em 2002, o segundo filme da série, <em>Intervenção Divina</em>, projetou o diretor em todo o mundo como o mais importante cineasta da Palestina.</p>
<p>Os três filmes fazem uma espécie de crônica do conflito entre árabes e israelenses, mas em momento nenhum tentam elucidar as tramas políticas da questão, como explica o próprio diretor. Segundo ele, o que lhe motiva é antes de tudo a oportunidade de relatar experiências estéticas e humanas. &#8220;Como a história de meus pais&#8221;, completa.</p>
<p>De fato, para entender seu cinema, é preciso saber que Suleiman &#8211; apesar de palestino &#8211; não está falando de dentro. Ele vive na França e é com os olhos de um exilado que contempla a vida daquela região &#8211; uma vida que já não encontra referências que façam sentido e que por isso foge ao absurdo e ao cômico, uma vida perdida no tempo, um presente ausente &#8211; como indica o subtítulo do filme.</p>
<p>É diante desse vazio que o cineasta-ator prosta-se com sua famosa inexpressividade à Buster Keaton. Seu rosto, aliás, parece ter sido feito especialmente para esse humor triste, do homem que acostumou-se a um mundo estranho. (Outra comparação comum é com o diretor francês Jacques Tati, mestre do gênero).</p>
<p><em>O que resta do tempo</em> desenvolve-se em esquetes e, a medida que avança, parece ir se despreocupando cada vez mais com uma linha narrativa bem definida. A história, para aqueles personagens, já não tem tanto peso. Antes de fazê-la avançar, seria preciso vencer a guerra.</p>
<p>E é aí que o futuro &#8211; a exemplo do passado &#8211; se faz distante, ampliando o vazio do presente. &#8220;Se todos bebessem como eu, veríamos os aviões inimigos a dois metros de nossas cabeças e poderíamos agarrá-los com as mãos&#8221;, diz um dos personagens. Impotentes, eles não veem outra saída que não o desespero, a loucura ou o esquecimento de seus próprios ideais. Resta à mãe do protagonista sentar-se à janela &#8211; como há décadas fazia seu marido &#8211; e olhar, simplesmente olhar.</p>
<p>Ao final, a dissolução narrativa chega a se tornar incômoda. Temos então nada mais que situações isoladas e anacrônicas e personagens que mal sabemos o que estão fazendo ali. &#8220;Onde estou, onde estou?&#8221;, repete estupefato o motorista que conduz o personagem de Suleiman, depois de se perder em meio a uma tempestade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cartasdaqui.wordpress.com/518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cartasdaqui.wordpress.com/518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cartasdaqui.wordpress.com/518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cartasdaqui.wordpress.com/518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cartasdaqui.wordpress.com/518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cartasdaqui.wordpress.com/518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cartasdaqui.wordpress.com/518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cartasdaqui.wordpress.com/518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cartasdaqui.wordpress.com/518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cartasdaqui.wordpress.com/518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cartasdaqui.wordpress.com/518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cartasdaqui.wordpress.com/518/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cartasdaqui.wordpress.com/518/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cartasdaqui.wordpress.com/518/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=518&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Mother (Bong Joon-ho)</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 12:41:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Bong Joo-ho]]></category>

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		<description><![CDATA[Mother é um daqueles filmes cuja preocupação central ainda é contar uma história. Isso pode parecer reduntante, mas a verdade é que o cinema voltou-se tanto para si mesmo &#8211; muitas vezes num deslumbramento vazio -, que são poucos os cineastas contemporâneos interessados na primazia da narrativa. Bong Joon-ho, ao contrário, apega-se tanto às reviravoltas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=509&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/05/tmp1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-511" title="tmp" src="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/05/tmp1.jpg?w=225&#038;h=148" alt="" width="225" height="148" /></a>Mother é um daqueles filmes cuja preocupação central ainda é contar uma história. Isso pode parecer reduntante, mas a verdade é que o cinema voltou-se tanto para si mesmo &#8211; muitas vezes num deslumbramento vazio -, que são poucos os cineastas contemporâneos interessados na primazia da narrativa.</p>
<p>Bong Joon-ho, ao contrário, apega-se tanto às reviravoltas do roteiro que chega ao exagero. Na segunda metade do filme, cada novo corte parece querer levar a uma conclusão. Mas é aí justamente que uma nova evidência aparece e o filme vai se alongando, escorrendo por um labirinto narrativo bem construído, mas talvez sinuoso demais.</p>
<p>Hye-ja Kim interpreta a mãe super-protetora de um filho com problemas mentais, numa cidade pequena da Coreia do Sul. Com a prisão do garoto, ela entende que é a única pessoa interessada em libertá-lo e se joga numa saga em busca de provas da sua inocência.</p>
<p>Acompanhamos então o desespero na figura trêmula de uma senhora em princípio impotente diante de indivíduos interessados apenas nos próprios egos &#8211; é o descaso na pele do policial, dos jovens delinquentes, do amigo interesseiro. Cada um representa um aliado ou um obstáculo, na medida em que se satisfaça ou não seus interesses pessoais.</p>
<p>De fato, um tom cético domina o filme, mas não chega a ser trabalhado em profundidade, assim como qualquer aspecto psicológico dos personagens. Com a correria da narrativa &#8211; sempre em busca da solução de mistérios &#8211; perde-se a força da duração do plano, da calma violenta característica dos filmes orientais.</p>
<p>Em lugar disso, o diretor opta mais uma vez por usar todos os recursos em prol da construção de uma narrativa fechada, mas nem por isso limitada. Ele toma emprestadas características de vários filmes de gênero &#8211; como o thriller e até o humor &#8211; e constrói com elas um roteiro bastante sólido.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cartasdaqui.wordpress.com/509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cartasdaqui.wordpress.com/509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cartasdaqui.wordpress.com/509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cartasdaqui.wordpress.com/509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cartasdaqui.wordpress.com/509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cartasdaqui.wordpress.com/509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cartasdaqui.wordpress.com/509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cartasdaqui.wordpress.com/509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cartasdaqui.wordpress.com/509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cartasdaqui.wordpress.com/509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cartasdaqui.wordpress.com/509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cartasdaqui.wordpress.com/509/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cartasdaqui.wordpress.com/509/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cartasdaqui.wordpress.com/509/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=509&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Whatever Works (Woody Allen)</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 01:55:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Woody Allen]]></category>

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		<description><![CDATA[Os filmes de Woody Allen já se tornaram para muitos um prazer com periodicidade e qualidade garantidas. Uma estreia com seu nome nos créditos é um daqueles momentos do ano aguardados asiosamente, como um feriado que nos reserva sempre um novo presente. No último deles &#8211; Whatever Works -, vemos um dos alter egos mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=506&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/05/tmp.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-507" title="Larry David in Whatever Works" src="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/05/tmp.jpg?w=219&#038;h=144" alt="" width="219" height="144" /></a>Os filmes de Woody Allen já se tornaram para muitos um prazer com periodicidade e qualidade garantidas. Uma estreia com seu nome nos créditos é um daqueles momentos do ano aguardados asiosamente, como um feriado que nos reserva sempre um novo presente.</p>
<p>No último deles &#8211; <em>Whatever Works</em> -, vemos um dos alter egos mais óbvios do diretor: um sessentão ultra-cético encantado com a própria genialidade e de mal com a vida. Tudo à sua volta está errado &#8211; a começar pelo fato absurdo de que todos vamos morrer &#8211; e por isso só o que ele faz é reclamar.</p>
<p>Woody Allen não esconde o rosto por trás da imagem &#8211; vemos o diretor até mesmo nos trejeitos do protagonista, que volta e meia se dirige ao público, orgulhoso por ser o único ali a perceber a câmera.</p>
<p>Ao contrário do que sugere o título brasileiro (<em>Tudo pode dar certo</em>), o roteiro não busca o caminho de um final feliz. A ideia, de fato, é que não há garantias em nada &#8211; quando se começa uma relação amorosa, as coisas podem ou não dar certo; o amor pode ou não durar. E é por isso que o protagonista nos sugere que tiremos o melhor que pudermos da vida. &#8220;O que quer que dê certo&#8221;, seria a tradução literal do inglês.</p>
<p>Woody Allen parece ter atingido uma certa inércia em termos de ousadia na direção de seus filmes, embora tenha surpreendido com Match Point, em 2005. De lá para cá, sempre sabemos mais ou menos o que esperar. E a verdade é que ele não deve se importar nem um pouco com isso. Sua diversão com certeza está mais em dar vida a personagens neuróticos, cheios de problemas e sacadas geniais. Não há motivo mesmo para querer mais.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cartasdaqui.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cartasdaqui.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cartasdaqui.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cartasdaqui.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cartasdaqui.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cartasdaqui.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cartasdaqui.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cartasdaqui.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cartasdaqui.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cartasdaqui.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cartasdaqui.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cartasdaqui.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cartasdaqui.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cartasdaqui.wordpress.com/506/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=506&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cinema: expressão pessoal. Não?</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 22:48:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Meirelles]]></category>

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		<description><![CDATA[Fernando Meirelles está longe de ser meu diretor brasileiro preferido, mas não duvido de sua importância, sobretudo num cenário escasso de talentos com espaço para produzir como o cinema nacional. Por isso confesso que fiquei um pouco chocado com uma parte de sua entrevista para o Jornal do Brasil na edição de hoje. Ele falava [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=495&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/04/fernando-meirelles.jpg"><img class="size-full wp-image-498 alignleft" title="fernando-meirelles" src="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/04/fernando-meirelles.jpg?w=254&#038;h=149" alt="" width="254" height="149" /></a>Fernando Meirelles está longe de ser meu diretor brasileiro preferido, mas não duvido de sua importância, sobretudo num cenário escasso de talentos com espaço para produzir como o cinema nacional.</p>
<p>Por isso confesso que fiquei um pouco chocado com uma parte de sua entrevista para o Jornal do Brasil na edição de hoje. Ele falava da dualidade cinema comercial X autoral quando soltou uma comparação no mínimo esdrúxula.</p>
<p>Transcrevo aqui a pergunta do repórter e a resposta completa do diretor:</p>
<p><em>Repórter: Virou moda diretores lançarem seus filmes anunciando expectativas  de que o filme bata a casa do milhão. Como vê essa corrida do ouro?</em></p>
<p><em>FM: Ainda bem que existem excelentes diretores que fazem filmes que levam milhões de pessoas ao cinema. Este troço funciona um pouco como o mundo da moda ou da Fórmula 1. É preciso ter aqueles que correm mais riscos e experimentam para que a linguagem e a técnica evoluam, mas também são importantes os outros, que adaptam estas invenções para o grande público e que, no fundo, são os que viabilizam e justificam as experimentações. <strong>Quando um artista quiser testar os limites de suas ideias ou de sua subjetividade às vezes é melhor escrever um poema. Cinema não é a forma mais adequada para a expressão pessoal. É trabalho de muitos para muitos.</strong></em></p>
<p>Não sou daqueles que se ofendem quando alguém resolve defender o que quer que seja a respeito do cinema. Opiniões são sempre bem-vindas. Mas achei estranho o modo simplório como ele tratou um tema que com certeza já deu assunto pra um bocado de teses por aí.</p>
<p>Lembrei também de um livro do Laurent Tirard que reúne entrevistas de 40 grandes diretores, como Scorsese, Woody Allen, Wim Wenders e Godard. Eles divergem em muitos pontos, mas quase todos defendem que um bom filme tem que ser feito para o próprio diretor. Eles não ignoram o público é claro, apenas acreditam que o cinema só pode ser chamado de arte quando &#8211; como na literatura ou na pintura &#8211; ele é o resultado de uma vontade pessoal.</p>
<p>Com a palavra, o senhor Scorsese: &#8220;(&#8230;) quanto mais um filme é a expressão de uma visão única &#8211; quanto mais ele é pessoal, portanto &#8211; mais ele se aproxima do estatuto de obra de arte. O que significa que ele sobreviverá mais longamente à prova do tempo, que poderemos revê-lo centenas de vezes sem nos cansarmos&#8221;.</p>
<p>Isto não resume nenhuma &#8220;política dos autores&#8221;, como aquela pensada pelos jovens da Nouvelle Vague (e hoje bastante criticada pelo próprio Godard). Mostra apenas que o assunto não é tão superficial para ser tratado em termos de cinema comercial x autoral.</p>
<p>Às vezes uma resposta mal pensada reduz demais uma questão que merece muito mais reflexão do que a que cabe em cinco linhas. (Ou vai ver isso é realmente o que ele pensa e pronto. Vai saber).</p>
<p>Ainda bem que não sou doutor em nada pra não correr o risco de ser entrevistado. Ficaria com tanto medo de falar bobagem que minhas respostas seriam mais vagas que as dos irmãos Coen.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cartasdaqui.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cartasdaqui.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cartasdaqui.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cartasdaqui.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cartasdaqui.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cartasdaqui.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cartasdaqui.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cartasdaqui.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cartasdaqui.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cartasdaqui.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cartasdaqui.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cartasdaqui.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cartasdaqui.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cartasdaqui.wordpress.com/495/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=495&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">brenobo</media:title>
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			<media:title type="html">fernando-meirelles</media:title>
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		<title>Em tempos de Avatar&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Apr 2010 19:52:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Jean Renoir]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230;fala Renoir: http://www.youtube.com/watch?v=LKCrOLcDbjE<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=492&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230;fala Renoir:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cartasdaqui.wordpress.com/2010/04/17/em-tempos-de-avatar/"><img src="http://img.youtube.com/vi/LKCrOLcDbjE/2.jpg" alt="" /></a></span>
<div id="_mcePaste" style="overflow:hidden;position:absolute;left:-10000px;top:0;width:1px;height:1px;">http://www.youtube.com/watch?v=LKCrOLcDbjE</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cartasdaqui.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cartasdaqui.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cartasdaqui.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cartasdaqui.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cartasdaqui.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cartasdaqui.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cartasdaqui.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cartasdaqui.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cartasdaqui.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cartasdaqui.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cartasdaqui.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cartasdaqui.wordpress.com/492/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cartasdaqui.wordpress.com/492/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cartasdaqui.wordpress.com/492/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=492&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Antoine Doinel, Antoine Doinel!</title>
		<link>http://cartasdaqui.wordpress.com/2010/04/12/antoine-doinel-antoine-doinel/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 02:31:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Truffaut]]></category>

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		<description><![CDATA[<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=490&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cartasdaqui.wordpress.com/2010/04/12/antoine-doinel-antoine-doinel/"><img src="http://img.youtube.com/vi/-p2ej4onSFA/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cartasdaqui.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cartasdaqui.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cartasdaqui.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cartasdaqui.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cartasdaqui.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cartasdaqui.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cartasdaqui.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cartasdaqui.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cartasdaqui.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cartasdaqui.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cartasdaqui.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cartasdaqui.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cartasdaqui.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cartasdaqui.wordpress.com/490/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=490&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">brenobo</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Uma música: Honeysuckle Rose</title>
		<link>http://cartasdaqui.wordpress.com/2010/04/10/uma-musica-honeysuckle-rose/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 17:24:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[_E o mais]]></category>
		<category><![CDATA[Erroll Garner]]></category>

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		<description><![CDATA[Como diz Nelson Freire no documentário de João Moreira Salles, ninguém nunca tocou piano com tanta alegria quanto Erroll Garner.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=488&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como diz Nelson Freire no documentário de João Moreira Salles, ninguém nunca tocou piano com tanta alegria quanto Erroll Garner.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cartasdaqui.wordpress.com/2010/04/10/uma-musica-honeysuckle-rose/"><img src="http://img.youtube.com/vi/VtQpFzu-unE/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cartasdaqui.wordpress.com/488/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cartasdaqui.wordpress.com/488/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cartasdaqui.wordpress.com/488/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cartasdaqui.wordpress.com/488/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cartasdaqui.wordpress.com/488/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cartasdaqui.wordpress.com/488/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cartasdaqui.wordpress.com/488/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cartasdaqui.wordpress.com/488/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cartasdaqui.wordpress.com/488/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cartasdaqui.wordpress.com/488/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cartasdaqui.wordpress.com/488/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cartasdaqui.wordpress.com/488/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cartasdaqui.wordpress.com/488/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cartasdaqui.wordpress.com/488/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=488&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">brenobo</media:title>
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		<item>
		<title>O escritor é a obra</title>
		<link>http://cartasdaqui.wordpress.com/2010/04/08/o-escritor-e-a-obra/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 15:41:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Alain Bergala]]></category>

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		<description><![CDATA[Sofro de uma mania um tanto fetichista em relação à arte &#8211; me interesso igualmente pela obra e pelo artista, sua vida, seus vícios, interesses, ideias, diários, doenças etc. Quando começo a ler um livro, por exemplo, preciso ter a imagem do escritor na cabeça. Se não conheço o rosto do sujeito, é como se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=479&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/04/escritores.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-483" title="escritores" src="http://cartasdaqui.files.wordpress.com/2010/04/escritores.jpg?w=387&#038;h=93" alt="" width="387" height="93" /></a></p>
<p>Sofro de uma mania um tanto fetichista em relação à arte &#8211; me interesso igualmente pela obra e pelo artista, sua vida, seus vícios, interesses, ideias, diários, doenças etc. Quando começo a ler um livro, por exemplo, preciso ter a imagem do escritor na cabeça. Se não conheço o rosto do sujeito, é como se estivesse lendo um livro qualquer, escrito por qualquer um. Não raro, vou ao Google Images procurá-lo antes mesmo de ler a contra-capa.</p>
<p>Apesar de não ser incomun &#8211; conheço pelo menos uma dezena de pessoas com a mesma enfermidade -, esse gosto sempre me pareceu superficial e extravagante. Sentia-me traindo o &#8220;essencial&#8221; da arte ao me voltar recorrentemente ao criador em detrimento da criação.</p>
<p>Começo a desconfiar, no entanto, que a origem dessa mania está em verdade na impossibilidade de separar a obra do artista &#8211; com efeito, os dois estão sempre se confundindo.</p>
<p>Lembrei dessa associação ao ler um texto de Alain Bergala, cineasta e ex-crítico da Cahiers du Cinéma, além de estudioso e amigo de Godard. Aqui, ele trata de cinema, mas considera-o como arte, extendendo a discussão, portanto, à literatura, pintura etc.</p>
<p><em>&#8220;É preciso pensar o filme como a marca de um gesto de criação. Não como um objeto de leitura, decodificável, mas cada plano como a pincelada do pintor pela qual se pode compreender um pouco seu processo de criação (&#8230;) O verdadeiro cineasta é &#8216;trabalhado&#8217; por sua questão &#8211; que seu filme, por sua vez, trabalha. É alguém para quem filmar não é buscar a tradução em imagens de ideias das quais ele já está seguro, mas alguém que busca e pensa no ato mesmo de fazer o filme&#8221;.</em></p>
<p>Ele sugere, portanto, que ver um filme (ou ler um livro) é mais do que prestar atenção a uma mensagem &#8211; é colocar-se no lugar do artista para &#8220;criar&#8221; com ele.</p>
<p>Sendo assim, por que não espiar um pouco a vida do cara?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cartasdaqui.wordpress.com/479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cartasdaqui.wordpress.com/479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cartasdaqui.wordpress.com/479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cartasdaqui.wordpress.com/479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cartasdaqui.wordpress.com/479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cartasdaqui.wordpress.com/479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cartasdaqui.wordpress.com/479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cartasdaqui.wordpress.com/479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cartasdaqui.wordpress.com/479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cartasdaqui.wordpress.com/479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cartasdaqui.wordpress.com/479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cartasdaqui.wordpress.com/479/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cartasdaqui.wordpress.com/479/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cartasdaqui.wordpress.com/479/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=479&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">escritores</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Comentários rápidos sobre filmes que estiveram por aí (II)</title>
		<link>http://cartasdaqui.wordpress.com/2010/04/04/comentarios-rapidos-sobre-filmes-que-estiveram-por-ai-ii/</link>
		<comments>http://cartasdaqui.wordpress.com/2010/04/04/comentarios-rapidos-sobre-filmes-que-estiveram-por-ai-ii/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2010 18:18:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Ethan Coen]]></category>
		<category><![CDATA[Joel Coen]]></category>

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		<description><![CDATA[Um Homem Sério (A Serious Man, EUA, 2009) Mais uma vez, a personagem principal do filme dos irmãos Coen é a montagem &#8211; ela traz vigor a uma história que, em mãos menos habilidosas em lidar com o estranhamento, facilmente tornaria-se enfadonha. Com uma expressão de quem se acostumou a um mundo sem graça, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=474&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Um Homem Sério</strong> (A Serious Man, EUA, 2009)</p>
<p>Mais uma vez, a personagem principal do filme dos irmãos Coen é a montagem &#8211; ela traz vigor a uma história que, em mãos menos habilidosas em lidar com o estranhamento, facilmente tornaria-se enfadonha.</p>
<p>Com uma expressão de quem se acostumou a um mundo sem graça, o protagonista vê sua vida desmoronar até o limite do absurdo. E é o silêncio entre ele e o mundo que cria uma tensão crescente, que poderia levar somente ao trágico ou à loucura.</p>
<p>A vida americana dos anos 60 e a tradição judaica revelam em quadros abertos e colorido intenso toda sua normalidade e disparate, empurrando o protagonista ladeira abaixo, de certa forma desinteressado pelo que passa à sua volta e ao mesmo tempo preso à falta de sentido da vida.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p><strong>Coração Louco</strong> (Crazy Heart, EUA, 2009)</p>
<p>Bad Blake, personagem de Jeff Bridges, é daqueles que se repetem insistentemente no cinema &#8211; músico com um passado de sucesso e presente de shows medíocres e alcoolismo. Enquanto recupera a carreira, se apaixona, chega ao fundo do poço e dá a volta por cima.</p>
<p>Sim, o tema é clichê, mas o filme é bom e a atuação de Jeff Bridges melhor ainda. Sobretudo quando comparada à de Colin Farrell &#8211; visivelmente desconfortável no papel do cantor de folk da vez.</p>
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		<title>Comentários rápidos sobre filmes que estiveram por aí (I)</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 03:06:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Breno Barreto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Juan José Campanella]]></category>
		<category><![CDATA[Nick Hornby]]></category>
		<category><![CDATA[Lone Scherfig]]></category>
		<category><![CDATA[Kathryn Bigelow]]></category>

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		<description><![CDATA[O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos, Argentina, 2009) O cinema argentino está hoje entre os mais ousados e interessantes do mundo &#8211; anda a passos largos, em contraste com a timidez criativa de Hollywood. O paralelo foi citado pelo próprio Juan José Campanella, diretor de O Segredo dos Seus Olhos, que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cartasdaqui.wordpress.com&amp;blog=8384653&amp;post=469&amp;subd=cartasdaqui&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O Segredo dos Seus Olhos</strong> (El Secreto de Sus Ojos, Argentina, 2009)</p>
<p>O cinema argentino está hoje entre os mais ousados e interessantes do mundo &#8211; anda a passos largos, em contraste com a timidez criativa de Hollywood.</p>
<p>O paralelo foi citado pelo próprio Juan José Campanella, diretor de <em>O Segredo dos Seus Olhos</em>, que &#8211; sem dúvida &#8211; não pecou por apostar baixo em seu filme. Inseriu elementos de trama policial, romance e conflitos psicológicos; câmera na mão, flashbacks e um excelente plano sequência num estádio de futebol.</p>
<p>Tudo muito bom caso se prestasse à construção de um roteiro mais bem amarrado. Mas o fato é que o filme parece tão atulhado de idéias desordenadas como a mesa de trabalho do protagonista.</p>
<p>Em busca do sentido da própria vida, ele apaixona-se pela chefe enquanto se consome na obsessão de um caso policial não resolvido &#8211; exagero de elementos, que acabam, assim, perdendo força.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p><strong>Educação</strong> (An Education, Inglaterra, 2009)</p>
<p><em>Educação </em>padece de um grande problema: seu enredo &#8211; baseado numa história real &#8211; é simples demais para ser contado da forma rasa pela qual optou a diretora Lone Scherfig.</p>
<p>Que me desculpem os aficionados a Nick Hornby (cujo livro deu origem ao roteiro), mas não há aqui nenhuma preocupação em explorar a psicologia de uma jovem em formação, apenas situações previsíveis que se sucedem de modo previsível. Falta respeito pela inteligência do espectador.</p>
<p>Como mostrar, por exemplo, a fase em que a protagonista reconhece a necesidade de estudar com afinco? Simples &#8211; um livo na mão, passos de um lado para o outro e uma janela através da qual se vê a passagem das estações.</p>
<p>É uma pena, já que assim desperdiça-se um excelente time de atores.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p><strong>Guerra ao Terror</strong> (The Hurt Locker, EUA, 2008)</p>
<p>Kathryn Bigelow acertou ao esperar baixar a poeira da guerra do Iraque (pelo menos na mídia internacional) para rodar seu filme. Isso porque assim pôde livrar-se mais facilmente da &#8220;obrigação&#8221; de explorar o óbvio, de ir atrás da história para servir de repórter de guerra.</p>
<p>Ao invés disso, preferiu construir um olhar que tenta se aproximar das motivações de seu protagonista &#8211; o sargento especialista em bombas William James. O que leva um homem à guerra? O que o faz caminhar sem aparente medo em direção a um ninho de bombas?</p>
<p>Ela sugere que a guerra &#8211; como um videogame &#8211; vicia e que a origem desse vício pode estar em casa, na falta de coisas e pessoas que amar.</p>
<p>OBS: mais uma vez os marketeiros responsáveis pela tradução dos títulos de filmes se superaram. Difícil imaginar algo mais tolo que &#8220;Guerra ao Terror&#8221;. Saiba <a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_42/artigo_1271/Vinganca_peluda_nao_e_solucao.aspx" target="_blank">aqui</a> como são escolhidos os títulos brasileiros.</p>
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