Mother é um daqueles filmes cuja preocupação central ainda é contar uma história. Isso pode parecer reduntante, mas a verdade é que o cinema voltou-se tanto para si mesmo – muitas vezes num deslumbramento vazio -, que são poucos os cineastas contemporâneos interessados na primazia da narrativa.
Bong Joon-ho, ao contrário, apega-se tanto às reviravoltas do roteiro que chega ao exagero. Na segunda metade do filme, cada novo corte parece querer levar a uma conclusão. Mas é aí justamente que uma nova evidência aparece e o filme vai se alongando, escorrendo por um labirinto narrativo bem construído, mas talvez sinuoso demais.
Hye-ja Kim interpreta a mãe super-protetora de um filho com problemas mentais, numa cidade pequena da Coreia do Sul. Com a prisão do garoto, ela entende que é a única pessoa interessada em libertá-lo e se joga numa saga em busca de provas da sua inocência.
Acompanhamos então o desespero na figura trêmula de uma senhora em princípio impotente diante de indivíduos interessados apenas nos próprios egos – é o descaso na pele do policial, dos jovens delinquentes, do amigo interesseiro. Cada um representa um aliado ou um obstáculo, na medida em que se satisfaça ou não seus interesses pessoais.
De fato, um tom cético domina o filme, mas não chega a ser trabalhado em profundidade, assim como qualquer aspecto psicológico dos personagens. Com a correria da narrativa – sempre em busca da solução de mistérios – perde-se a força da duração do plano, da calma violenta característica dos filmes orientais.
Em lugar disso, o diretor opta mais uma vez por usar todos os recursos em prol da construção de uma narrativa fechada, mas nem por isso limitada. Ele toma emprestadas características de vários filmes de gênero – como o thriller e até o humor – e constrói com elas um roteiro bastante sólido.