Os filmes de Woody Allen já se tornaram para muitos um prazer com periodicidade e qualidade garantidas. Uma estreia com seu nome nos créditos é um daqueles momentos do ano aguardados asiosamente, como um feriado que nos reserva sempre um novo presente.
No último deles – Whatever Works -, vemos um dos alter egos mais óbvios do diretor: um sessentão ultra-cético encantado com a própria genialidade e de mal com a vida. Tudo à sua volta está errado – a começar pelo fato absurdo de que todos vamos morrer – e por isso só o que ele faz é reclamar.
Woody Allen não esconde o rosto por trás da imagem – vemos o diretor até mesmo nos trejeitos do protagonista, que volta e meia se dirige ao público, orgulhoso por ser o único ali a perceber a câmera.
Ao contrário do que sugere o título brasileiro (Tudo pode dar certo), o roteiro não busca o caminho de um final feliz. A ideia, de fato, é que não há garantias em nada – quando se começa uma relação amorosa, as coisas podem ou não dar certo; o amor pode ou não durar. E é por isso que o protagonista nos sugere que tiremos o melhor que pudermos da vida. “O que quer que dê certo”, seria a tradução literal do inglês.
Woody Allen parece ter atingido uma certa inércia em termos de ousadia na direção de seus filmes, embora tenha surpreendido com Match Point, em 2005. De lá para cá, sempre sabemos mais ou menos o que esperar. E a verdade é que ele não deve se importar nem um pouco com isso. Sua diversão com certeza está mais em dar vida a personagens neuróticos, cheios de problemas e sacadas geniais. Não há motivo mesmo para querer mais.