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O que resta do tempo é o terceiro filme da trilogia de Elia Suleiman, que teve início em 1996 com Crônica de um desaparecimento. Em 2002, o segundo filme da série, Intervenção Divina, projetou o diretor em todo o mundo como o mais importante cineasta da Palestina.

Os três filmes fazem uma espécie de crônica do conflito entre árabes e israelenses, mas em momento nenhum tentam elucidar as tramas políticas da questão, como explica o próprio diretor. Segundo ele, o que lhe motiva é antes de tudo a oportunidade de relatar experiências estéticas e humanas. “Como a história de meus pais”, completa.

De fato, para entender seu cinema, é preciso saber que Suleiman – apesar de palestino – não está falando de dentro. Ele vive na França e é com os olhos de um exilado que contempla a vida daquela região – uma vida que já não encontra referências que façam sentido e que por isso foge ao absurdo e ao cômico, uma vida perdida no tempo, um presente ausente – como indica o subtítulo do filme.

É diante desse vazio que o cineasta-ator prosta-se com sua famosa inexpressividade à Buster Keaton. Seu rosto, aliás, parece ter sido feito especialmente para esse humor triste, do homem que acostumou-se a um mundo estranho. (Outra comparação comum é com o diretor francês Jacques Tati, mestre do gênero).

O que resta do tempo desenvolve-se em esquetes e, a medida que avança, parece ir se despreocupando cada vez mais com uma linha narrativa bem definida. A história, para aqueles personagens, já não tem tanto peso. Antes de fazê-la avançar, seria preciso vencer a guerra.

E é aí que o futuro – a exemplo do passado – se faz distante, ampliando o vazio do presente. “Se todos bebessem como eu, veríamos os aviões inimigos a dois metros de nossas cabeças e poderíamos agarrá-los com as mãos”, diz um dos personagens. Impotentes, eles não veem outra saída que não o desespero, a loucura ou o esquecimento de seus próprios ideais. Resta à mãe do protagonista sentar-se à janela – como há décadas fazia seu marido – e olhar, simplesmente olhar.

Ao final, a dissolução narrativa chega a se tornar incômoda. Temos então nada mais que situações isoladas e anacrônicas e personagens que mal sabemos o que estão fazendo ali. “Onde estou, onde estou?”, repete estupefato o motorista que conduz o personagem de Suleiman, depois de se perder em meio a uma tempestade.

Mother é um daqueles filmes cuja preocupação central ainda é contar uma história. Isso pode parecer reduntante, mas a verdade é que o cinema voltou-se tanto para si mesmo – muitas vezes num deslumbramento vazio -, que são poucos os cineastas contemporâneos interessados na primazia da narrativa.

Bong Joon-ho, ao contrário, apega-se tanto às reviravoltas do roteiro que chega ao exagero. Na segunda metade do filme, cada novo corte parece querer levar a uma conclusão. Mas é aí justamente que uma nova evidência aparece e o filme vai se alongando, escorrendo por um labirinto narrativo bem construído, mas talvez sinuoso demais.

Hye-ja Kim interpreta a mãe super-protetora de um filho com problemas mentais, numa cidade pequena da Coreia do Sul. Com a prisão do garoto, ela entende que é a única pessoa interessada em libertá-lo e se joga numa saga em busca de provas da sua inocência.

Acompanhamos então o desespero na figura trêmula de uma senhora em princípio impotente diante de indivíduos interessados apenas nos próprios egos – é o descaso na pele do policial, dos jovens delinquentes, do amigo interesseiro. Cada um representa um aliado ou um obstáculo, na medida em que se satisfaça ou não seus interesses pessoais.

De fato, um tom cético domina o filme, mas não chega a ser trabalhado em profundidade, assim como qualquer aspecto psicológico dos personagens. Com a correria da narrativa – sempre em busca da solução de mistérios – perde-se a força da duração do plano, da calma violenta característica dos filmes orientais.

Em lugar disso, o diretor opta mais uma vez por usar todos os recursos em prol da construção de uma narrativa fechada, mas nem por isso limitada. Ele toma emprestadas características de vários filmes de gênero – como o thriller e até o humor – e constrói com elas um roteiro bastante sólido.

Os filmes de Woody Allen já se tornaram para muitos um prazer com periodicidade e qualidade garantidas. Uma estreia com seu nome nos créditos é um daqueles momentos do ano aguardados asiosamente, como um feriado que nos reserva sempre um novo presente.

No último deles – Whatever Works -, vemos um dos alter egos mais óbvios do diretor: um sessentão ultra-cético encantado com a própria genialidade e de mal com a vida. Tudo à sua volta está errado – a começar pelo fato absurdo de que todos vamos morrer – e por isso só o que ele faz é reclamar.

Woody Allen não esconde o rosto por trás da imagem – vemos o diretor até mesmo nos trejeitos do protagonista, que volta e meia se dirige ao público, orgulhoso por ser o único ali a perceber a câmera.

Ao contrário do que sugere o título brasileiro (Tudo pode dar certo), o roteiro não busca o caminho de um final feliz. A ideia, de fato, é que não há garantias em nada – quando se começa uma relação amorosa, as coisas podem ou não dar certo; o amor pode ou não durar. E é por isso que o protagonista nos sugere que tiremos o melhor que pudermos da vida. “O que quer que dê certo”, seria a tradução literal do inglês.

Woody Allen parece ter atingido uma certa inércia em termos de ousadia na direção de seus filmes, embora tenha surpreendido com Match Point, em 2005. De lá para cá, sempre sabemos mais ou menos o que esperar. E a verdade é que ele não deve se importar nem um pouco com isso. Sua diversão com certeza está mais em dar vida a personagens neuróticos, cheios de problemas e sacadas geniais. Não há motivo mesmo para querer mais.

Fernando Meirelles está longe de ser meu diretor brasileiro preferido, mas não duvido de sua importância, sobretudo num cenário escasso de talentos com espaço para produzir como o cinema nacional.

Por isso confesso que fiquei um pouco chocado com uma parte de sua entrevista para o Jornal do Brasil na edição de hoje. Ele falava da dualidade cinema comercial X autoral quando soltou uma comparação no mínimo esdrúxula.

Transcrevo aqui a pergunta do repórter e a resposta completa do diretor:

Repórter: Virou moda diretores lançarem seus filmes anunciando expectativas  de que o filme bata a casa do milhão. Como vê essa corrida do ouro?

FM: Ainda bem que existem excelentes diretores que fazem filmes que levam milhões de pessoas ao cinema. Este troço funciona um pouco como o mundo da moda ou da Fórmula 1. É preciso ter aqueles que correm mais riscos e experimentam para que a linguagem e a técnica evoluam, mas também são importantes os outros, que adaptam estas invenções para o grande público e que, no fundo, são os que viabilizam e justificam as experimentações. Quando um artista quiser testar os limites de suas ideias ou de sua subjetividade às vezes é melhor escrever um poema. Cinema não é a forma mais adequada para a expressão pessoal. É trabalho de muitos para muitos.

Não sou daqueles que se ofendem quando alguém resolve defender o que quer que seja a respeito do cinema. Opiniões são sempre bem-vindas. Mas achei estranho o modo simplório como ele tratou um tema que com certeza já deu assunto pra um bocado de teses por aí.

Lembrei também de um livro do Laurent Tirard que reúne entrevistas de 40 grandes diretores, como Scorsese, Woody Allen, Wim Wenders e Godard. Eles divergem em muitos pontos, mas quase todos defendem que um bom filme tem que ser feito para o próprio diretor. Eles não ignoram o público é claro, apenas acreditam que o cinema só pode ser chamado de arte quando – como na literatura ou na pintura – ele é o resultado de uma vontade pessoal.

Com a palavra, o senhor Scorsese: “(…) quanto mais um filme é a expressão de uma visão única – quanto mais ele é pessoal, portanto – mais ele se aproxima do estatuto de obra de arte. O que significa que ele sobreviverá mais longamente à prova do tempo, que poderemos revê-lo centenas de vezes sem nos cansarmos”.

Isto não resume nenhuma “política dos autores”, como aquela pensada pelos jovens da Nouvelle Vague (e hoje bastante criticada pelo próprio Godard). Mostra apenas que o assunto não é tão superficial para ser tratado em termos de cinema comercial x autoral.

Às vezes uma resposta mal pensada reduz demais uma questão que merece muito mais reflexão do que a que cabe em cinco linhas. (Ou vai ver isso é realmente o que ele pensa e pronto. Vai saber).

Ainda bem que não sou doutor em nada pra não correr o risco de ser entrevistado. Ficaria com tanto medo de falar bobagem que minhas respostas seriam mais vagas que as dos irmãos Coen.

…fala Renoir:

http://www.youtube.com/watch?v=LKCrOLcDbjE

Como diz Nelson Freire no documentário de João Moreira Salles, ninguém nunca tocou piano com tanta alegria quanto Erroll Garner.

Sofro de uma mania um tanto fetichista em relação à arte – me interesso igualmente pela obra e pelo artista, sua vida, seus vícios, interesses, ideias, diários, doenças etc. Quando começo a ler um livro, por exemplo, preciso ter a imagem do escritor na cabeça. Se não conheço o rosto do sujeito, é como se estivesse lendo um livro qualquer, escrito por qualquer um. Não raro, vou ao Google Images procurá-lo antes mesmo de ler a contra-capa.

Apesar de não ser incomun – conheço pelo menos uma dezena de pessoas com a mesma enfermidade -, esse gosto sempre me pareceu superficial e extravagante. Sentia-me traindo o “essencial” da arte ao me voltar recorrentemente ao criador em detrimento da criação.

Começo a desconfiar, no entanto, que a origem dessa mania está em verdade na impossibilidade de separar a obra do artista – com efeito, os dois estão sempre se confundindo.

Lembrei dessa associação ao ler um texto de Alain Bergala, cineasta e ex-crítico da Cahiers du Cinéma, além de estudioso e amigo de Godard. Aqui, ele trata de cinema, mas considera-o como arte, extendendo a discussão, portanto, à literatura, pintura etc.

“É preciso pensar o filme como a marca de um gesto de criação. Não como um objeto de leitura, decodificável, mas cada plano como a pincelada do pintor pela qual se pode compreender um pouco seu processo de criação (…) O verdadeiro cineasta é ‘trabalhado’ por sua questão – que seu filme, por sua vez, trabalha. É alguém para quem filmar não é buscar a tradução em imagens de ideias das quais ele já está seguro, mas alguém que busca e pensa no ato mesmo de fazer o filme”.

Ele sugere, portanto, que ver um filme (ou ler um livro) é mais do que prestar atenção a uma mensagem – é colocar-se no lugar do artista para “criar” com ele.

Sendo assim, por que não espiar um pouco a vida do cara?

Um Homem Sério (A Serious Man, EUA, 2009)

Mais uma vez, a personagem principal do filme dos irmãos Coen é a montagem – ela traz vigor a uma história que, em mãos menos habilidosas em lidar com o estranhamento, facilmente tornaria-se enfadonha.

Com uma expressão de quem se acostumou a um mundo sem graça, o protagonista vê sua vida desmoronar até o limite do absurdo. E é o silêncio entre ele e o mundo que cria uma tensão crescente, que poderia levar somente ao trágico ou à loucura.

A vida americana dos anos 60 e a tradição judaica revelam em quadros abertos e colorido intenso toda sua normalidade e disparate, empurrando o protagonista ladeira abaixo, de certa forma desinteressado pelo que passa à sua volta e ao mesmo tempo preso à falta de sentido da vida.

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Coração Louco (Crazy Heart, EUA, 2009)

Bad Blake, personagem de Jeff Bridges, é daqueles que se repetem insistentemente no cinema – músico com um passado de sucesso e presente de shows medíocres e alcoolismo. Enquanto recupera a carreira, se apaixona, chega ao fundo do poço e dá a volta por cima.

Sim, o tema é clichê, mas o filme é bom e a atuação de Jeff Bridges melhor ainda. Sobretudo quando comparada à de Colin Farrell – visivelmente desconfortável no papel do cantor de folk da vez.

O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Sus Ojos, Argentina, 2009)

O cinema argentino está hoje entre os mais ousados e interessantes do mundo – anda a passos largos, em contraste com a timidez criativa de Hollywood.

O paralelo foi citado pelo próprio Juan José Campanella, diretor de O Segredo dos Seus Olhos, que – sem dúvida – não pecou por apostar baixo em seu filme. Inseriu elementos de trama policial, romance e conflitos psicológicos; câmera na mão, flashbacks e um excelente plano sequência num estádio de futebol.

Tudo muito bom caso se prestasse à construção de um roteiro mais bem amarrado. Mas o fato é que o filme parece tão atulhado de idéias desordenadas como a mesa de trabalho do protagonista.

Em busca do sentido da própria vida, ele apaixona-se pela chefe enquanto se consome na obsessão de um caso policial não resolvido – exagero de elementos, que acabam, assim, perdendo força.

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Educação (An Education, Inglaterra, 2009)

Educação padece de um grande problema: seu enredo – baseado numa história real – é simples demais para ser contado da forma rasa pela qual optou a diretora Lone Scherfig.

Que me desculpem os aficionados a Nick Hornby (cujo livro deu origem ao roteiro), mas não há aqui nenhuma preocupação em explorar a psicologia de uma jovem em formação, apenas situações previsíveis que se sucedem de modo previsível. Falta respeito pela inteligência do espectador.

Como mostrar, por exemplo, a fase em que a protagonista reconhece a necesidade de estudar com afinco? Simples – um livo na mão, passos de um lado para o outro e uma janela através da qual se vê a passagem das estações.

É uma pena, já que assim desperdiça-se um excelente time de atores.

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Guerra ao Terror (The Hurt Locker, EUA, 2008)

Kathryn Bigelow acertou ao esperar baixar a poeira da guerra do Iraque (pelo menos na mídia internacional) para rodar seu filme. Isso porque assim pôde livrar-se mais facilmente da “obrigação” de explorar o óbvio, de ir atrás da história para servir de repórter de guerra.

Ao invés disso, preferiu construir um olhar que tenta se aproximar das motivações de seu protagonista – o sargento especialista em bombas William James. O que leva um homem à guerra? O que o faz caminhar sem aparente medo em direção a um ninho de bombas?

Ela sugere que a guerra – como um videogame – vicia e que a origem desse vício pode estar em casa, na falta de coisas e pessoas que amar.

OBS: mais uma vez os marketeiros responsáveis pela tradução dos títulos de filmes se superaram. Difícil imaginar algo mais tolo que “Guerra ao Terror”. Saiba aqui como são escolhidos os títulos brasileiros.

Desaprendi a ouvir música.

Hoje pela manhã, aproveitei que a casa estava vazia e coloquei no rádio da sala o primeiro movimento do Concerto para violoncelo de Edward Elgar, solado por Jacqueline du Pré. É parte de um álbum confuso que baixei na Internet há muitos anos e que havia esquecido num CD de backup. Encontrei-o quando tentava organizar, de novo, a bagunça do meu armário.

A caligrafia de criança displicente com que foi escrito o título me fez lembrar de quando ouvia repetidas vezes a mesma faixa, deitado de barriga pra cima na cama, olhando para o teto. Cheguei a lembrar-me da mancha de infiltração que ficava logo acima da minha cabeça e que, enquanto eu escutava o violoncelo de du Pré, transformava-se numa montanha, fortaleza, nuvem ou mapa de qualquer país.

Mas isso foi antes de eu ver de perto um violoncelo. Foi antes de eu descobrir como o contato das cordas com os fios de crina de cavalo do arco produziam aquele som aveludado, tão parecido à voz humana.

Nessa época, eu não sabia o que era um adagio moderato e nunca ouvira falar em Elgar ou Du Pré. Com treze anos, não me interessava entender o que eu escutava simplesmente porque não via nada ali que precisasse ser entendido. Havia o som e isso era tudo.

Essa mesma sensação era a que eu buscava quando, hoje, apertei o play no rádio da sala e levei o volume até perto do máximo. As janelas já estavam fechadas e o ar-condicionado ligado, exatamente como há dez anos.

Fechei os olhos, esperando as primeiras notas que sabia de cor. Elas tocaram na minha cabeça antes mesmo de chegarem aos ouvidos e assim seguiram todas as outras. Comecei a pensar que algo estava errado e essa preocupação rapidamente tomou conta da minha atenção e expulsou a música por completo.

Deduzi que não havia me concentrado e corri em direção ao stop, não querendo desperdiçar mais segundos de uma faixa que então me parecia tão cara.

Fui até a cozinha e bebi um copo d’água, como se ela pudesse de alguma forma limpar o que me impedia de sentir aquela música como antes. Play – de novo, não pude evitar de pensar nas notas iniciais antes que elas saíssem das caixas de som, mas deixei seguir.

Um violoncelo solitário começou a falar baixo mas decididamente, quase sumindo em alguns momentos. Logo, exaltava-se e parecia aproximar-se cada vez mais de um precipício. Eu sabia o que esperar daquilo e – quando no minuto 2:30 – ele pareceu chorar, eu sabia que a orquestra mostraria sua força logo em seguida, como se o amparasse aos pés do abismo.

Nenhuma dessas imagens, no entanto, veio a mim enquanto escutava a música nessa manhã. Cada nota era, antes, o resultado de um movimento da solista, do contato do arco com as cordas, efeito da presença de uma orquestra em frente a um público, comandada por um maestro.

Eu tentava esquecer que aquela era a gravação de um concerto em Praga realizado em 1967. Tentava ignorar as tosses na platéia e a respiração de Du Pré; apagar a imagem que criara para acompanhar a música – aqui estão os violinos, ali os metais, lá atrás o tímpano.

Mas não havia escapatória – o tempo me fez aprender que não há som sem algo ou alguém que o produza. Antes de senti-lo, hoje estou obrigado a conhecê-lo.

O Caminho

No último dia 09 de fevereiro, como planejado, às 8h15 da manhã, deixei Roncesvalles a pé com destino a Santiago de Compostela. O sol ainda não havia saído e a neve de muitos dias se acumulava na estrada. Estava sozinho e sozinho me sentia – no meio do nada, incapaz de entender plenamente o que fazia naquele momento.

Cem metros depois do albergue, quando ainda tentava apertar as fivelas da mochila, vi uma placa que avisava: Santiago – 790 km. Tratei de afastar o sono e respirar fundo – era difícil acreditar que estava realmente ali, começando algo que muitos chamariam de loucura.

De lá pra cá, aconteceu tanta coisa quanto normalmente conto no período de um ano. Cada dia era um novo Caminho, com novos lugares, pessoas, dores e desafios. Em cada dia eu saía do novo para o novo.

Cheguei a Santiago em 06 de março, depois de 26 dias andando. Caminhava cerca de 20 km por dia no início, ainda testando meu corpo, e depois passei a fazer 30, 40, 45 km. Na metade, andar já era algo mais que normal – era o óbvio. As pernas iam sozinhas (mas nem sempre contentes) e a coisa toda tomava ares de meditação. Eu já não era um turista fazendo uma longa caminhada. Era um peregrino.

Gostaria de resumir o que foi meu Caminho de Santiago, mas vejo agora que isso seria impossível. Posso dizer apenas que em muitos sentidos foi muito bom. É uma experiência que por um lado reflete não mais que a vida de todos os dias e que por outro se faz única a cada passo.

Daqui a pouco, viajo pra Roncesvalles, onde devo começar o Caminho de Santiago amanhã. Vou tentar manter uma espécie de diário, mas ficarei longe de Internet. Quando voltar à civilização, tento postar alguns trechos.

Minha “preparação” pro caminho foi corrida (menos de duas semanas), por isso parto com a impressão de que falta um monte de coisas. Mas imagino que seja normal sentir-se vulnerável antes de uma aventura de um mês em que sua casa está em suas costas e todas as facilidades da rotina se afastaram. Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de me sentir assim.

De acordo com meus planos, chego em Santiago lá pelo dia 07 de março, mas é difícil e desnecessário estabelecer esse tipo de meta. Bom mesmo é olhar pra frente, andar, andar e ir vendo aonde cada dia vai dar.

800 km, aqui vou eu.

Um homem deve ir à busca da sabedoria da mesma maneira que um soldado vai para a guerra: com medo, com respeito e com total segurança. Deve agir como se soubesse aonde está indo, embora na realidade não tenha a menor ideia do que irá encontrar; o que importa é que ele está percorrendo o caminho que escolheu. (Carlos Castañeda)

Falou e disse

Li agora um texto escrito pelo Amyr Klink que tem tudo a ver com o que passa pela cabeça de quem está prestes a se meter no Caminho de Santiago, ainda com aquela dúvida insistente: “mas por quê mesmo, hein?”. Segue um trecho.

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Falou e disse.

Minhas aulas terminaram, assim como minha grana pra viajar. Foram cinco meses pra lá e pra cá, onze países e quase 40 cidades.
Cansei? Não – agora vou fazer o Caminho de Santiago a pé. Serão quase 800 km cortando o norte da Espanha de leste a oeste em direção a Santiago de Compostela.
A pergunta mais difícil é logo a primeira que todo o mundo me faz: Por que? Tem gente que faz por devoção, outros por promessa, esporte, turismo e variações desses quatro motivos. Eu não sei muito bem qual é o meu, mas sei que sempre quis me meter nessa e que agora tenho a oportunidade. Às vezes é preciso simplesmente Fazer – com f maiúsculo mesmo – sem perder tempo em procurar sentidos. Uma iniciativa que assusta é uma oportunidade pra nos sentirmos maiores do que somos todos os dias, é um passo fora do “normal” a que nos condenamos quando deixamos de acreditar que a vida é mais do que parece.
Mas isso é apenas um palpite. Pode ser também que eu chegue a Santiago sem nada mais que cansaço. Só fazendo pra descobrir.

Devo começar no dia 9, mas o primeiro desafio vai ser colocar tudo isso aí dentro da mochila.

“O inverno é longo demais e o verão curto demais”. Essa frase, entreouvida em um ônibus em Navarra, resume bem o sentimento do europeu sobre as estações do ano.

Vivendo aqui, descobrimos que fomos enganados nos colégios cariocas. Afinal, não existem essas tais estações no Rio de Janeiro e em boa parte do Brasil. Para nós, de fato, o verão é uma época quente e o inverno uma menos quente. Ponto. Pouco se repara em folhas no chão, ventos mais ou menos gelados, flores mais ou menos frondosas. No máximo, aumentam os comentários de elevador sobre “o calor infernal que fazia hoje no centro da cidade”.

Aqui, pelo contrário, o clima não é apenas uma questão de mudanças de temperatura e nem mesmo de paisagem. O que preimeiro se nota é a mudança do humor. A cortesia (já escassa em boa parte da Espanha) diminui, os sorrisos tornam-se amarelados, a impaciência chega mais rápido.

E acho que ontem entendi – ou, antes, senti – o porquê. Depois de dois meses de temperaturas abaixo de zero, ventos gelados que parecem querer arrancar suas orelhas e botas nos pés para salvá-los da neve, consegui sair à rua sem casaco e sentir o sol “queimar” um pouco o rosto.

Não se pode dizer exatamente que já está quente (ainda estamos por volta dos cinco graus), mas só de não sentir mais o nariz doendo ao respirar ar gelado, a vontade é de não voltar pra casa, aproveitar o “calor” como se ele fosse acabar a qualquer momento.

Isso porque o frio europeu é bonito nas fotos, mas incomoda de verdade quem tem de conviver com ele. De férias, achamos lindas as ruas brancas e as crianças empacotadas indo para o colégio. O problema é quando temos de levantar cedo todos os dias para tomar o caminho da geladeira. Esquecemos de que a neve é bonita e só nos lembramos de que o chão estará escorregadio; as três camisas mais o casaco que levamos tornam-se apenas peso incômodo; e o frio só nos faz querer chegar logo a qualquer lugar com calefação.

E, de repente, o Sol.

É difícil para quem nunca passou por essa mudança entender totalmente seu efeito, não apenas em cada indivíduo, mas na comunidade de modo geral. É como nos filmes-catástrofe do Roland Emmerich, quando – depois que passa o pior – as pessoas finalmente saem às ruas, ainda receosas, para comprovar a chegada do salvador (no caso, o Sol).

Está en la sala familiar, sombría,
y entre nosotros, el querido hermano
que en el sueño infantil de un claro día
vimos partir hacia un país lejano.

Hoy tiene ya las sienes plateadas,
un gris mechón sobre la angosta frente,
y la fría inquietud de sus miradas
revela un alma casi toda ausente.

Deshójanse las copas otoñales
del parque mustio y viejo.
La tarde, tras los húmedos cristales,
se pinta, y en el fondo del espejo.

El rostro del hermano se ilumina
suavemente. ¿Floridos desengaños
dorados por la tarde que declina?
¿Ansias de vida nueva en nuevos años?

¿Lamentará la juventud perdida?
Lejos quedó —la pobre loba— muerta.
¿La blanca juventud nunca vivida
teme, que ha de cantar ante su puerta?

¿Sonríe el sol de oro
de la tierra de un sueño no encontrada;
y ve su nave hender el mar sonoro,
de viento y luz la blanca vela hinchada?

Él ha visto las hojas otoñales,
amarillas, rodar, las olorosas
ramas del eucalipto, los rosales
que enseñan otra vez sus blancas rosas

Y este dolor que añora o desconfía
el temblor de una lágrima reprime,
y un resto de viril hipocresía
en el semblante pálido se imprime.

Serio retrato en la pared clarea
todavía. Nosotros divagamos.
En la tristeza del hogar golpea
el tictac del reloj. Todos callamos.

(Antonio Machado)

Viver em outro país é uma experiência que pode nos ajudar a entender melhor o lugar onde crescemos. A lógica é simples:  passamos para o lado de fora, de onde podemos observar nosso comportamento pelos olhos de um outro, como numa sessão de análise. Não é necessário que um espanhol ou um alemão me digam o que pensam do Brasil ou dos brasileiros (disso, eles pouco sabem). Basta que eu preste atenção à maneira como cada um se relaciona com o outro, com o país e com o tempo – desse modo, começo a enxergar melhor os meus preconceitos e os deles também.

Um exemplo que cada vez se torna mais claro para mim é o que diz respeito à forma como encaramos o diferente, o absurdo, aquilo que nos choca por ir contra o que resolvemos chamar de normal. Tome duas cidades como Rio de Janeiro e Berlim – para um carioca (em princípio acostumado a uma vida dinâmica e cosmopolita), o estranhamento e a aversão vêm muito mais facilmente que para um berlinense. Me parece que nossas iniciativas nascem já com medo da resistência e por isso tornam-se tímidas e escassas. Em Berlim, ao contrário, caminha-se pelas ruas com a sensação de que ali a história não pensa em tirar férias – “as coisas acontecem por aqui”, é o que se diz.

E por “coisas”, entenda-se não apenas o grandioso, o fundamental. Num dia, alguém resolve organizar uma guerra de neve no centro da cidade; noutro, começa a reconstrução de um palácio por meio bilhão de euros – o que importa para eles é manter a cidade viva, em movimento.

Isso só é possível, no entanto, porque lá falar alto é permitido. Haverá sempre quem discorde e rechace a mudança, é claro, mas isso é parte esperada e essencial do processo.

No Brasil, quando alguém resolve dizer o que pensa (no Congresso ou numa mesa de bar), reage-se com um “mas isso é a tua opinião”. Ora, é claro que é a minha opinião. Por que não pensar no que ela traz de novo antes de ignorá-la justamente por ser nova e diferente da sua?

Eis, então, o pior dos nossos desperdícios: ao mesmo tempo em que somos um dos povos mais criativos do mundo, sufocamos nossas ideias no medo de ser diferentes, no medo de falar alto e ser ouvidos.

Paris…

Um dos hobbies preferidos da maioria dos jornalistas e estudantes de jornalismo que conheci até hoje é falar mal da profissão. Os temas são muitos: baixos salários (sempre começa por aí), desrespeito a horários, depreciação do trabalho, pouco espaço para a verdade, coberturas superficiais e viciadas etc.

Por isso, tinha a curiosidade de conhecer a opinião de um jornalista que houvesse estudado e trabalhado na Espanha, país que supostamente disfruta de um dos jornalismos mais avançados do mundo.

Eis que hoje encontro por acaso uma doutoranda em literatura, formada em jornalismo. Ela já havia passado pelas redações do El Mundo e da Rádio Nacional Espanhola e o que tinha a dizer era que não há mercado para jornalistas aqui. Disse que havia optado pela carreira acadêmica para fugir de um jornalismo guiado por interesses corporativos e que não valoriza o trabalho de um repórter. Em sua opinião, trabalha-se muito, de maneira burra e por salários ridículos.

Melhor continuar buscando por aí, não?

Depois de uma semana na Escandinávia (Oslo, Estocolmo e Copenhaguen), desembarquei em Marrakech, no Marrocos. Da neve para o sol do deserto e – principalmente – da ordem de cidades feitas pra funcionar para o caos de um lugar que cresceu sem rédeas.

De certo modo, a capital dinamarquesa se parece com a sueca que por sua vez se parece com a norueguesa. As ruas são largas e limpas, as pessoas são distantes e educadas, o transporte funciona e o clima é – quase sempre – de segurança. Mais do que isso – existe no ar um desejo de que se perceba a vida desse modo. O olhar do vendedor do supermercado é o de quem se sente na obrigação de afirmar uma segurança própria de um país livre de problemas.

Não à toa, parece que a desordem encontra seu lugar mais na loucura que na infração. É por aí que escapa o residual. Não tive medo de assaltos, mas tomei um chute e um soco de um louco que gritava pelas ruas de Copenhaguen às quatro e meia da tarde (já era noite, na verdade).

Chegando de ônibus ao centro de Marrakesh, foi como se terminasse de sair de um sonho um tanto escuro e entorpecente pra me jogar numa hiper-realidade. Ali não há tempo pra respirar. É impossível andar pela praça Jemma El Fna como um turista apartado da vida do lugar, registrando tudo de longe com uma máquina fotográfica.

É colocar o pé na rua e já se está exposto à agressividade de uma cidade que tenta de todos os modos te fazer pagar por alguma coisa. Pode ser por uma foto com um macaco, um suco de laranja espremido na hora ou uma explicação sobre o trabalho dos curtidores de couro – qualquer coisa lhes serve para conseguir alguns dirahms.

E não adianta dizer ‘não’ a um vendedor que te oferece uma pulseira com o rosto quase colado ao teu. Ele vai gritar até que você tenha sumido na próxima esquina do souk (o mercado de rua), onde um outro vai te pegar pelo braço e te puxar até sua loja enquanto repete qualquer coisa em cinco idiomas diferentes até se fazer entender.

Em Marrakech, a principal atração já não é um prédio ou uma paisagem que se possa estampar num guia de viagem, mas a relação que cada um acaba criando com o povo marroquino, sempre sedento e cheio de uma vida que pode nos parecer bizarra e cansativa.

No fim das contas, gostei de ter feito essa transição radical. Parece que quando confrontamos tão prontamente culturas em muitos pontos opostas como essas, podemos ver mais claramente traços que de outro modo ficariam escondidos.

testeFui passar o dia em Oviedo com Vicky Cristina Barcelona na cabeça. Antes de ver o filme, nunca ouvira falar na cidade, mas agora ela já era parte indispensável do meu itinerário. Woody Allen me dera três ou quatro cenas de um lugar banhado a vinho e violão espanhol, em que eu já imaginava Vickies e Cristinas andando pelas ruas.

Acontece que esqueci de avisar a elas que eu estava chegando. Acabei encontrando não a Oviedo que havia imaginado, mas uma outra muito diferente – bonita e encantadora, sem dúvida, mas diferente.

Ainda que eu soubesse bem das artimanhas ilusivas do cinema, não pude evitar uma ponta de decepção.

Ao lado da igreja, uma estrada movimentada; em frente ao mercado em que passeavam os três, uma feira para turistas. Não havia ali nenhum diretor rabugento organizando o quadro, melhorando a luz, escondendo a estrada ou a feirinha.

Quando voltei pra casa, revi algumas cenas do filme e foi como se de fato não houvesse estado naquelas ruas horas antes. A Oviedo que aparece na tela é a de Woody Allen, diferente da minha e provavelmente da de qualquer outra pessoa. Ainda bem, é claro. Assim temos a chance de, cada um a seu modo, inventar uma cidade diferente. No final das contas, é tudo ficção.

Quando estávamos em Londres, eu e três amigos fomos a Greenwich atrás de um fish and chips que supostamente seria um dos melhores da cidade. Comemos, conhecemos o lugar e, já no fim de tarde, pegamos um dos famosos ônibus londrinos para voltar ao centro.

Tudo ia muito bem até que uma passageira começou a dizer que o motorista não sabia o que estava fazendo. A cada curva, ela balançava a cabeça em sinal de reprovação e ficava mais irritada. Como o resto dos passageiros parecia ser tão turista como nós, ficaram todos calados, provavelmente pensando que a mulher não ia bem da cabeça. Afinal de contas, como é que um motorista de ônibus poderia se perder? E ainda por cima em Londres!?

Assim ficamos até que uma freada brusca nos acordasse. Semáforo? Engarrafamento? Não – era o motorista que tinha entrado numa rua errada. Era incrível, mas ele estava realmente perdido.

Com isso, a inglesa avançou na direção da cabine com cinco pedras em cada mão. Ao mesmo tempo em que perguntava aos gritos como ele conseguira aquele emprego, tratava de ensinar-lhe curva a curva o caminho certo.

“É por ali, senhora?” “Não! Vira aqui!! Aqui!!!”

Era uma cena inacreditável. A cem metros do ponto final – quando até nós já conhecíamos o caminho – ele continuava perguntando o que fazer. Eu já via a hora em que sairia da cabine o Mr. Bean com roupa de motorista e aquela cara de quem não sabe o que está fazendo ali.

Não tem jeito – seja onde for, parece que o charme dos símbolos turísticos está sempre disposto a escorrer pela realidade. (Tá, os ônibus vermelhos continuam charmosos, mas se eu entrar em algum outro, vai ser difícil não rir sozinho).

Brasil? Ah…

Em 9 de 10 vezes que um europeu me pergunta de que país eu sou, a resposta gera um “ah…” fácil de se decifrar. É como se a palavra “Brasil” estivesse sempre acompanhada de três ou quatro imagens exageradamente coloridas: festa, praia, mulheres, futebol.

Se me perguntam qual a minha cidade, de novo um “ah…”, só que agora ainda mais forte. Por trás de um sorrisinho carregado de malícia, quase posso ver passar um filme em que desfilam mulatas de biquini, garotos fazendo embaixadinhas e, claro, o capitão Nascimento.

Exemplo: numa propaganda não lembro de quê, um sujeito encontra o irmão gêmeo de seu pai, perdido há muitos anos, no Brasil. Vestido de marinheiro, ele aparece ao lado de algumas mulatas segurando um abacaxi improvisado como copo diante de uma praia que com certeza só encontraríamos no Caribe.

É certo que esse tipo de associação superficial (e muitas vezes errada) acontece com qualquer pessoa de um país minimamente conhecido. Involuntariamente, pinçamos um ônibus vermelho em Londres, uma vaca solta nas ruas de Nova Dheli, um bigodudo comendo bacalhau em Portugal… Mas o fato é que nenhum lugar (ao menos pela minha experiência por aqui) gera reações tão expressivas quanto o Brasil.

A fantasia é tão convincente para eles que nem uma visita ao país parece lapidar suas impressões.

Exemplo: numa aula de literatura espanhola (!), o professor tentava explicar a importância da poesia para os espanhóis do século XVII. “Era como um esporte”, disse. E aí veio a comparação um tanto esdrúxula: segundo ele, quando foi ao Rio de Janeiro, ficou impressionado com a quantidade de campos de futebol que viu entre o aeroporto e o centro da cidade. “Era um atrás do outro. Eles jogam futebol o tempo todo – por isso existem tantos bons jogadores brasileiros”.

Ok, não há dúvidas de que o futebol é o esporte nacional. Mas sentado no fundo da sala, comecei a refazer o caminho do Galeão até o centro e não consegui encontrar todos esses campos. Será que ele foi ao Rio de Janeiro certo?

Aviso afixado numa parede da Estação de ônibus Sul de Madrid:

1. Vigile constantemente sua bagagem, nunca se afaste dela;

2. Mantenha os objetos pequenos na mão;

3. Se lhe fizerem uma pergunta, não responda, querem lhe distrair;

4. Se jogarem moedas ou outros objetos diante de você, não os apanhe;

5. Se lhe disserem que você tem uma mancha ou um rasgo na roupa, não faça caso.

Nos oito dias em que estive na cidade, ouvi pelo menos umas cinco histórias de roubo, além de muitas recomendações para tomar cuidado com os batedores de carteira, especialmente no metrô.

É triste ter de se preocupar em não perder a máquina fotográfica quando há tanta coisa pra ser registrada.

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Em alguns dos principais pontos turísticos de Madrid, o que mais chama a atenção são as obras. Uma moradora chegou a me dizer que já não se lembrava de como era a Puerta del Sol (“centro do centro” da cidade), depois de tantos anos de tapumes escondendo a praça.

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